Senti necessidade de escrever.
Como já não o fazia há muito tempo. Parece que agora que as folhas de outono começaram a cair, voltou tudo ao mesmo... Aquele estado de apatia, aquele querer desligar com tudo.
Se eu fosse realmente bom, se eu fosse realmente bom não estaria aqui, não sei. Não sei, não sei, não sei. É como se eu me questionasse diariamente sobre tudo, até sobre o viver ou não viver.
É como quando gostamos de estar com alguém e esse alguém nos é arrancado.
"toda a gente diz isso (...) toda a gente diz que és assim, que não fazes por mal, que é sempre sem querer..." \\ adorava poder dizer que isto é mentira, mas aparentemente não.
Parece que a aura negra que me assola faz 20 anos, parece que não quero durar mais 20, como se tudo fosse dado como possível sem nunca se ter algo a 100%.
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Desenho na minha cabeça o dia em que vou poder voltar a sorrir de verdade, como se não estivesse diariamente a chorar por dentro, a procurar uma motivação para não desistir, a querer ganhar mais confiança, mais auto-estima.
Sinto que tudo não passa de uma fachada: os amigos, a vida, as gargalhadas.
Admito a poucos algumas coisas, tranco-me na minha cara de mau, na minha intransigência e escrevo para não sentir mais, para poder desabafar as letras negras num suporte branco do pairar que existe nestes dias, que apesar de cinzentos, não me fazem deixar de ser preto e branco.
A D. viu que estava a escrever... Foda-se. Tive que esconder mais um pouco de mim, para não voltar a fraquejar, para não voltar a chorar, para na realidade, não voltar a ser eu. Há poucas coisas de que me orgulhe na vida, mas admito com muita certeza que gosto desta amiga como se fosse da minha família, é das pessoas em quem tenho mais orgulho na faculdade e espero que seja uma amiga para a vida. Amo-a como se fosse sangue do meu sangue, preocupo-me com ela como se fosse da minha família e entristece-me esconder-lhe tudo ao mesmo tempo que desabafo pedaços fragmentados da minha vida.
E pronto, comecei a chorar de novo enquanto ouvia aquela música dos Arcade Fire, aquela que me deixa sempre a pensar na vida e a questionar tudo.