6.12.15

Escrevo de um papel de suporte que não é o meu,

com pensamentos que me invadem a cabeça a toda a hora e sem os quais, penso que não conseguiria viver.

O meu décimo nono aniversário aproxima-se, oh como eu odeio fazer anos... Nunca gostei. Desde criança que esta data não me diz nada, ou melhor, desde criança que esta data nunca me disse nada. Entre o viver dois aniversários no mesmo dia e o nunca ter tido um grupo de amigos, não sei qual das múltiplas razões é a predileta para odiar o dia em que comemoro o meu nascimento.

Cada vez mais me canso de acordar, de viver e de me ir deitar. Só queria viver os meus dias todos num só dia, para depois me dissipar como um pó e nunca mais ninguém se lembrar de mim...

Sou óptimo a ouvir os outros e a apoiar os outros quando choram, mas sou pior ainda quando me vejo a chorar por dentro sem que ninguém dê por isso. Quando quero mais que uma coisa ao mesmo tempo, por ter medo de não ser capaz de fazer tudo durante o pouco tempo que me resta aqui.

A morte nunca me preocupou, porque acredito que quando alguém morre, acabou e nunca mais volta. A vida continua, é verdade, mas todos os dias me pergunto - quando me consigo recordar disso -  se a minha vida o deverá continuar ou não...

Talvez um dia eu me dissipe num pó que faça todas as pessoas esquecerem a minha existência, talvez um dia os glaciares derretam as centenas de lágrimas que verto por dentro, talvez, talvez, talvez...


Este ser bucólico e negro que de uma folha de papel em branco escreve, tão crente do que diz como da própria morte que avizinha, porquê? Porque é que tem tudo de ser tão doce e agreste ao mesmo tempo? Porque é que choro, quando ouço as notas de um piano que me faz recordar todos os momentos da minha vida num só? Porque é que nunca estou feliz e vivo sempre num limbo entre o não e o não.

Oh, quem me dera nunca andar sozinho, quem me dera viver os dias na plenitude da sua existência, quem me dera ser o tudo e preencher o nada, quem me dera um dia chegar a algum lado pela gordura que tirei de dentro da minha alma, quem me dera ser como a água que corre no interior do meu rosto diariamente, quem me dera conseguir ser eu.