Hoje é o primeiro dia - Sérgio Godinho.
Licenciado. Poderia pegar nas palavras que já escrevi no passado sobre o assunto, nas milhentas reflexões que fiz sobre o que era, na metamorfose que ocorreu em mim ao longo destes três anos e em quem me tornei. Poderia tecer um longo manto de retalhos no qual relembraria cada um dos momentos que desde tenra idade até agora, me foram importantes, na minha formação enquanto ser humano e profissional.
Mas hoje as palavras vão para quem cá fica. Vão para a Letícia, para a Maria, para a Rita, para a Catarina, para a Beatriz, para a Vânia, para a Beatriz, para a Jéssica e para a Rute; mas também vão para os caçulas da famíla: a Filipa, o Hugo e a Cristiana, para a Andreia, para a Inês, para a Beatriz e para a Lara, mas também para a Cristina e para o Eduardo, mesmo que o destino nos tenha feito navegar em barcos separados na mesma frota. Jamais podia deixar de referir uma mão cheia de mulheres que me acolheram e que fizeram o melhor papel, dadas as circunstâncias desta personagem: à Rita, à Fernanda, à Helena, à Iolanda e à Catarina, obrigado, sei que levo um pouco de cada uma de vocês e repetiria as escolhas, uma por uma.
Ao Miguel, por me ter feito acreditar de novo e por me ter ensinado a ser menos amargo. Ao Jorge, por me ensinar que temos que aprender a viver com os rasgões da vida e pelo melhor abraço na madrugada. À minha Avó Cecília, porque não a esqueci por um minuto que fosse, nem a esquecerei, por mais anos que passem. À Avó Otília, porque mesmo sendo um neto desnaturado, desatento e com 1001 afazeres, nunca a esqueci, por um minuto que fosse. Ao Avô Delfim, porque mesmo na sombra sempre me motivou a nunca desistir e a trabalhar pelo meu futuro. Ao adorado tio Fernando e à adorada tia Rita, que mal ou bem são as pessoas mais novas que tenho na minha família, depois de mim. À super Mãe, que também foi super Pai e que tantas vezes me ouviu dizer "não consigo", "não vai dar", "não sei se chega", "tenho que trabalhar mais", "não posso parar agora", "e se não der?" e que nem por um minuto deixou de dizer: vai, faz, arrisca.
À Cláudia e à Carolina, que são mais que amigas, são as minhas melhores amigas. À miúda que me ligava de Évora a dizer que "não era capaz, que queria desistir" e que me só no fim deste ciclo me conseguiu arrancar lágrimas e à minha saloia, que mesmo nas terras que outroura foram de Carlos V, me continua a encher de amor, com elas, tudo é mais fácil.
E por fim, a mim. Permitam que vos conte uma coisa: sou uma pessoa mais tímida do que aquilo que parece. Vivo num mar de inseguranças nas quais a exorcização da felicidade que contagia os outros, é o que de mais feliz me faz. Procrastino quando estou num dia-não e sou uma máquina de trabalho nos dias-sim. Não sou a pessoa com a personalidade mais fácil do mundo, nem tão pouco tenho um humor estável o suficiente para poder definir se num dia estou bem, ou se estou mal. Mas sei que quando gosto de alguém, gosto desse alguém a sério e aqui não podia deixar de parte as minhas Biscas: Louro, Kika e Melo e Castro. Fomos mais que 4 colegas, atrevo-me a dizer que fomos o quarteto fantástico, porque continuamos a não gostar das mesmas pessoas, desde o primeiro dia e a fazer gossip como se fosse a nossa primeira vez.
Peço desculpa a todos aqueles que não referi, mas o meu coração está demasiado cheio para conseguir exteriorizar em palavras aquilo que sinto.
Agora é hora de virar a página, o melhor sei bem que ainda está para vir, mas ficarei com muitas, muitas saudades destes três anos.
J.