19.2.15



Escrevi isto numa ida ao Centro Cultural de Belém, acerca do que eu sentia quando via esta obra de arte.



Mais do que arte, somos como uma substância corpórea feita de fragmentos de uma cor, que conforme o nosso estado de espírito, reflectem mais ou menos a presença dessa cor.

Noutra vida também tivemos uma cor, que poderá ter sido ou ser relacionada com a nossa cor actual; pensei que fui um rei, ou um membro da realeza, com uma cor específica, o preto.

Preto significa morte, fim, luto ou pura e simplesmente, conforto. Não pensem que escolhi preto ou que sou da cor preta por uma razão de economia de cor, preto é uma forma de estar na vida, é como um quadro monocromático, cujo qual todos se questionam mas que ninguém arranja uma resposta concreta para descobrir o que é, sem ser o próprio artista.

Mas de que vale ser artista se não temos uma cor própria? A da Helena foi o azul Yves Klein, a minha é o preto. Sou sangue azul, mas por fora sou preto, penso preto, a minha atitude é preta, só a cor das minhas cuecas é que não o é. (Hoje, que escrevo este texto aqui no blog, por acaso as cuecas são pretas.)

Se valho alguma coisa sem cor? Talvez, mas prefiro pensar que mesclado entre preto e o azul Yves Klein da Helena, sou "feliz", entre aspas.

Do teu rei, Carlos V de Habsburgo (O rei que à data do texto não tinha cuecas pretas vestidas e que agora, as tem.)


P.S. - O meu dia começou uma merda, valeu a pena ter acordado hoje e ter-me igualmente levantado da cama hoje? Uma vez li que cada um colhe o que semeia e se calhar é por causa disso que eu estou solteiro à dois anos e meio, porque sou uma bodega com rapazes. O dia continuou uma merda e terminou ainda pior, só desejava a morte e poder desaparecer de vez, para ver se não faria as pessoas sofrer. (e acabei esta frase a chorar, como usual desde que o conheci)